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educaportugal



Domingo, 17.02.13

“Inventem-se novos pais” II (20/07/2004)

Recupero agora o segundo texto dedicado à educação na primeira infância, publicado no anterior sítio Internet em julho de 2004 (tinha a minha pequenina quase 3 anos e o pequeno caramelo quase 1).

Relativamente ao texto anterior, dificilmente poderia concordar mais com os comentários efetuados pela Joana. O dedo colocado na ferida ao comparar a educação de crianças ditas "normais" com as que supostamente não o são, não poderia ser mais oportuno. Relativamente ao apoio profissional que os pais poderão obter, só lamento que haja tantos modos díspares de agir e pensar, por vezes diametralmente opostos, entre os diversos profissionais citados. Mas este facto é simplesmente o fruto natural de um tema deveras complexo e que ainda apresenta mais interrogações que certezas.

 

“Inventem-se novos pais” II

Tendo em conta o fim do ano letivo e a importância do tema que faz título a este texto, resolvi congelar momentaneamente a reflexão coletiva e escrita sobre avaliação, voltando a insistir neste tema de tal forma polémico, ao ponto de quase se poder chamar um tabu da sociedade atual.

Detesto a célebre expressão “no meu tempo...”, mas tenho uma leve impressão que hoje em dia proliferam os casos de miúdos mal-educados. Para dar mais força a esta minha ideia, ouço outros indivíduos, que também detestam a proferida célebre expressão, que também acreditam num crescente número de casos de crianças que apresentam tal característica. Para continuar esta a discussão desta problemática, considero importante definir o que é um miúdo mal-educado. Pessoalmente, não considero um miúdo reguila, remexido ou que faça as suas asneiras, mal-educado. Isto porque, para se aprender o que é correto e errado, é necessário existir uma situação problemática, onde a criança tenha feito algo errado, para aprender que tal comportamento é incorreto. Em muitos casos, têm mesmo de acontecer várias situações para que a criança apreenda tal aprendizagem (por exemplo, lá pela criança aprender que não pode brincar com o comando da televisão não implica que aprenda que não pode brincar com um telemóvel). Com todas estas situações a criança vai aprendendo o que não é correto fazer e porquê. Concluindo, é absolutamente normal que a criança cometa muitas “asneiras”, pois não nasce com a noção do que é lícito fazer ou não. Deste modo, quando falo em crianças mal-educadas refiro-me às que não têm qualquer noção do que está correto, ou não, fazendo ouvidos moucos ao que os adultos dizem, fazendo somente o que querem, em suma, pequenos ditadores. A questão é: porque é que ficam assim?

Uma das teorias que ouço é que nascem assim, o que se há de fazer? Tendo em conta que estas mesmas crianças (as que nascem assim), com outros adultos (que não os que proferem tal teoria), se comportam de um modo, por vezes, fenomenal, coloco esta teoria completamente de parte. Não digo que não haja crianças mais complicadas de educar que outras. No entanto, não posso responsabilizar em exclusivo as crianças por serem, por vezes, insuportáveis. Compreendo que, para os pais dessas crianças, que admitem mesmo não ter paciência para os seus filhos, seja mais fácil acreditar que os seus filhos são como são, não pela sua ação ou inação, mas porque assim nasceram; e que aqueles que têm filhos bem-educados têm sorte. No entanto, vejo que é essa mesma descrença no seu papel, uma das grandes responsáveis pelo seu parco investimento na educação dos seus filhos. Por outro lado, tal como as crianças não nascem educadas, também os pais não nascem sabendo como educá-las. Depois do nascimento da criança, chovem opiniões completamente divergentes de familiares, de amigos, de revistas da especialidade, etc.. Para além disso, nem sempre os dois progenitores estão de acordo sobre as ações a levar relativamente aos seus filhos. Assim, as coisas não ficam tão simples quanto se poderia pensar inicialmente.

Havendo tantos fatores a ter em conta, e sendo este um tema tão melindroso ao ponto deste pequeno texto já dar muito que discutir, continuá-lo-ei num texto posterior.

 

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por ap7 às 17:17



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Com o fim da weblog os textos antigos serão transportados para este novo espaço, com as repetivas referências temporais. Muita pena tenho por alguns comentários que enriqueciam os textos não poderem ser recuperados.