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educaportugal



Domingo, 14.04.13

“Inventem-se novos pais" V (01/09/2004)

Em Setembro de 2004, na iminência de um novo ano letivo, escrevi o quinto texto dedicado à educação em meio familiar, com ênfase na primeira infância. Deixo aqui o mesmo, pedindo desculpa pelo facto de um comentário da Joana, referido no texto, ter-se perdido no mundo "internético".

 

“Inventem-se novos pais” V

Depois de um interregno considerável derivado da “silly season”, continuo a minha reflexão escrita sobre a educação familiar. Mantenho este tema por considerá-lo um tema emergente e urgente, pois que as implicações do mesmo são importantíssimas para a vida de muitos futuros adultos. Prova da emergência de tal tema é a chuva de textos nos meios de comunicação social escrita que criticam o nosso sistema educativo e os jovens de hoje, apelidando os últimos de preguiçosos e com outros adjetivos desagradáveis. No entanto, custa-me criticar somente esses jovens, algo muito fácil e que acarreta aplausos de todos os quadrantes, esquecendo aqueles que os ajudaram a crescer, que foram corresponsáveis pela sua formação nos mais diversos aspetos. Os contagiados pela “opinite” (expressão muito bem conseguida pelo Miguel), criticam o sistema educativo, consequentemente criticam os jovens, esquecendo o facto de serem os seus educadores, logo grandes responsáveis pelo estado atual das gerações mais novas. Não quero dizer com isto que não haja razões para criticar muitos dos jovens. No entanto, será mais profícuo gastar uma hora por dia a pensar como melhorar a situação atual, do que estar todo o dia a criticar essa mesma situação.

Apesar das críticas dos “opiniteiros” se dirigirem quase exclusivamente aos jovens, continuo a bater na tecla da primeira infância, onde se forma quase totalmente o carácter e a personalidade da criança, facto que a Joana ajudou a explicar.

Assim, continuo a refletir sobre a questão da procura de consensos entre os educadores sobre o rumo a dar relativamente à educação dos seus educandos.

Um dos fatores importantes para que tal aconteça é a tal comunicação entre os educadores sobre os comportamentos dos seus educandos, e sobre o que fazer para melhorar alguns aspetos dos mesmos. Para tal, será inicialmente necessário que os educadores acreditem no seu papel preponderante na formação da personalidade dos seus educandos. A partir do momento em que acreditam que uns nascem “assim” e outros “assado”, portanto nada havendo a fazer, estamos perante um final catastrófico. Verifica-se, no entanto, que os defensores do determinismo só o são após uma má experiência relativamente aos seus educandos, sendo mais uma forma de justificar o seu “insucesso”. Na realidade, antes de se verem no papel de educadores, todos sabem apontar os erros efetuados por outros educadores. O que sucede então com esses indivíduos quando se vêm nesse papel? Admito não fazer a mínima ideia em alguns dos casos. Existem aqueles que nunca refletiram muito sobre questões educativas. Para além disso, confundem progenitores com pais e, face à falta de vontade em ser pai na sua plenitude, deixam que os seus filhos cresçam e se autoeduquem. O resultado é, na esmagadora parte dos casos, catastrófica, salvo quando existe a intervenção de outros adultos que vão incutindo alguma educação nessas crianças. Depois há aqueles que, por uma série de acontecimentos desafortunados na sua vida, perdem a força para educar os seus educandos. Estes dificilmente poderão ser criticados. Havendo ainda muitas e diversas situações, nas quais se consegue explicar minimamente o que se passou com os educadores para “falharem”, há, no entanto, uma que se apresenta como a mais enigmática: é o caso daqueles que sempre apontaram defeitos à educação ministrada por outros educadores e, quando na situação de educadores, imitam-nos. Já observei e tentei compreender estes casos, mas nunca o consegui. Falta-me a coragem para os interpelar sobre o assunto, pois que o mesmo é muito melindroso, podendo gerar um conflito desnecessário. Compreendo que não é fácil pôr em prática certos procedimentos com os nossos filhos, sobretudo aqueles que implicam sofrimento dos mesmos. O sofrimento que sentimos nessas ocasiões é, por vezes, brutal. No entanto, se os amamos, não compreendo que se opte pelo caminho mais fácil para nós, que levará a um enorme sofrimento futuro dos nossos filhos. Alguns pais dizem: sabemos que estamos a criar maus hábitos no nosso filho, mas quem sofre as consequências somos nós. Infelizmente, futuramente, esse jovem irá ser alvo de um grande sofrimento derivado desses maus hábitos. Em muitos casos, o sofrimento vem a curto prazo, devido às críticas constantes dos pais, à falta de habilidade em lidar com os seus pares, fazendo com que estes os coloquem de parte, e à falta de vontade de outros adultos privarem com estas crianças, pois o prazer em tal facto passa a ser residual.

O prazer supremo resultante do esforço de educar o melhor possível os nossos filhos, é ter orgulho nos mesmos, poder elogiá-los, vê-los felizes e sociáveis, e verificar que as outras crianças e adultos apreciam a sua companhia. Por estes factos, e por saber que os estamos a ajudar a serem potenciais futuros adultos felizes, vale a pena efetuar sacrifícios no sentido de lhes incutir as melhores aprendizagens.

Haveria ainda muito a escrever sobre este assunto, no entanto, irei passar para outra questão ligada à educação na primeira infância: quando começa essa mesma educação?

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por ap7 às 23:02



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