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educaportugal

Estive mais de quatro anos sem escrever, fruto dos vários afazeres em que me envolvo, deixando para segundo plano um dos maiores prazeres de que desfruto. Ontem voltei à carga, meio enferrujado. Hoje aproveito o estar de férias para recuperar mais alguns textos antigos que, feliz ou infelizmente (dependerá da opinião de cada um), se perderam na Internet após o encerramento do antigo espaço. Retomo assim o que fazia há quase seis anos, recuperando mais alguns do conjunto de textos dedicados, em 2004, à educação em meio familiar. Ao reler o oitavo texto dedicado ao tema, verifiquei o quão, infelizmente, está atual, apesar dos seus quase 15 anos. Não sou saudosista, nem sou dos que dizem que os miúdos estão cada vez pior. A maior parte das crianças e jovens com quem convivo na escola são seres maravilhosos com os seus defeitos como todos nós. Porém, não deixo de ficar angustiado com alguns casos extremos que vão surgindo nas escolas do 1.º ciclo do meu agrupamento, de crianças inábeis para viver em sociedade.

 

“Inventem-se novos pais” VIII – Quando eles começam a movimentar-se (08/11/2004)

Após um início algo simples, onde as únicas tarefas são educar a dormir e a comer, eis que surge aquela que será, provavelmente, a fase mais importante e mais difícil dentro da primeira infância. Entre o ano de idade e os dois anos (dependendo de cada criança, como tudo isto do crescimento), surge aquela fase por vezes denominada de primeira adolescência. Normalmente coincide com a fase em que a criança começa a mover-se pela casa, seja de gatas ou já de pé, tendo um raio de ação maior. Aqui, deixa de ser um ser passivo imóvel, passando a ser um ser ativo que, progressivamente, chega a todo lado. É nesta fase que florescem os chamados destruidores de telemóveis e comandos de televisão. Também neste caso, fartei-me de ouvir a sorte que tinha, pois a minha Alice não mexia nos comandos de televisão, nem nos telemóveis, nem em todos os objetos que estavam ao seu alcance, nos quais não estava apta a mexer. Isto, apesar de todos estes objetos terem mantido o seu lugar original, anterior ao aparecimento da Alice.

Em relação a este ponto específico, o educar as crianças no que concerne aos objetos nos quais podem ou não mexer, muita coisa pode ser dita. Conheci casos de casais que escolheram retirar os objetos do alcance da criança, para evitar que ela mexesse nos mesmos. Inicialmente parecia um bom plano, mas teve alguns maus resultados. Primeiro, não se podem manter todos os objetos em locais inacessíveis às crianças, pois estas crescem e, progressivamente, todos os locais inacessíveis perdem essa qualidade. Mais tarde, não estando as crianças já educadas neste ponto, o trabalho é muito maior, pois quanto mais velhos, mais difícil é inculcar aprendizagens nas crianças, acho eu. Por outro lado, mais tarde ou mais cedo, os casais saem de casa com as crianças, seja para outras casas, seja para outro local qualquer onde existem objetos nos quais os pequenos não poderão mexer. Como não lhes foi facultada esta aprendizagem, facilmente se pode adivinhar o resultado. Tendo em conta todos estes factores, penso poder concluir que esta é, regra geral, uma má opção.

O maior erro que, por vezes, observo neste ponto específico da educação das crianças, é o de acreditar que ainda são pequeninos, que não entendem. O pior que se pode fazer é subestimar as capacidades das crianças. Quando pensam que a criança já tem a idade suficiente para aprender, eis que já é tarde de mais, pois a criança, grande parte das vezes, já aprendeu exactamente o contrário daquilo que seria necessário ter aprendido. E, acontecido tal facto, para a criança não é uma simples nova aprendizagem, mas a perda de direitos já adquiridos. Por exemplo, é difícil que uma criança compreenda que não pode mexer no telemóvel, quando até então tal lhe era permitido sem qualquer problema.

Poderíamos, por outro lado, pensar que tais aprendizagens se tornam desnecessárias, pois mais tarde eles saberão usar todos os objetos em causa sem os danificar, logo, é uma questão de ter paciência durante, no máximo, dois anos, e que o problema em causa cessa. No entanto, neste caso, a liberdade dos pais em sair com os filhos para algum lado diminui, pois torna-se desagradável estar num local estranho onde os nossos filhos mexem em tudo perante o olhar chocado e reprovador dos restantes adultos. Assim, observam-se hoje muitos casais que praticamente não saem com os seus filhos, remetendo-se aos seus lares ou arranjando quem fique com eles para que possam sair. Nem vou perder tempo a dissertar sobre os malefícios de tais costumes, seja para o núcleo familiar, seja, sobretudo, para as crianças em causa. Tenho um maior respeito por aqueles casais que, apesar de manifestamente terem falhado na educação dos seus filhos em relação ao ponto em causa, saem com os seus filhos, nunca deixando de ir seja para onde for devido ao facto dos seus educandos demonstrarem os comportamentos acima citados. No entanto, por norma, estas saídas mostram-se esgotantes para os pais, pois estes têm que estar constantemente “em cima” dos seus filhos, resolvendo os problemas por eles criados e ralhando com os mesmos. Por outro lado, para quem priva com estes casais, essas situações são, normalmente, igualmente enervantes e esgotantes. E, infelizmente, perante tais factos, muitos pais optam por fazer de conta que não vêm o que os seus filhos estão a fazer de errado, para terem um minuto de descanso. Tendo em conta tudo isto, podíamos quase concluir que, se nos mantivéssemos em casa com os nossos filhos, o maior tempo possível, nesta fase do seus crescimento, poderíamos permitir-lhes mexer em todos aqueles objetos, pois com o tempo esse problema cessaria, e ninguém sairia prejudicado, era uma simples questão de paciência. Pessoalmente, por muito que muita gente queira acreditar em tal facto, discordo com o mesmo em completo, senão vejamos. Neste caso, das duas, uma: ou ralhamos com os nossos educandos quando eles mexem onde não devem, mas não os castigamos se o continuarem a fazer, mostrando-lhes, porém, que o comportamento está errado; ou deixamos que eles mexam em tudo à sua vontade, não ralhando. Não sei qual das opções poderá produzir mais estragos. Na primeira está em causa a noção de autoridade. Não é por acaso que muitas crianças, hoje em dia, têm dificuldade em lidar com a autoridade sobre elas exercida (para exemplificar este facto, de forma extrema, posso usar um grupo de alunos, a meio da adolescência, que certa vez afirmou que quem obedece são os cães, não sendo suposto usar tal palavra nos seres humanos, o que levou a uma reflexão conjunta, entre professor e alunos, sobre a noção de autoridade e obediência). Quando uma criança, com pouco mais de um ano, mexe onde quer, os pais ralham por isso, mas é-lhe permitido continuar a fazê-lo sem qualquer tipo de consequência, que aprendizagem poderá obter essa criança com tal facto? É uma porta aberta para a total falência da autoridade dos pais que, a partir desse ponto, ir-se-á diminuindo, até ao ponto em que se sente que quem detém a autoridade é essa mesma criança, que é ela quem decide tudo na sua vida (e na dos pais!), sem que tenha qualquer maturidade para tal. No segundo caso, em que não se ralha com as crianças, não recriminando o ato, a questão da autoridade não fica beliscada, mas acredito poder surgir outro problema, que poderá ser mais complicado de suavizar: a noção de propriedade. Uma criança que pode mexer sempre em tudo aquilo que quer poderá sentir que tudo lhe pertence (ideia filosoficamente interessante, mas na prática incómoda), o que, fora de casa, se transforma num problema. Para além dos danos que possa causar nos pertences dos seus pais, tentemos imaginar uma criança assim educada em casa de conhecidos ou estranhos.
Tendo em conta todos estes factos já apontados, espero, o mais breve possível, reflectir e escrever, num texto posterior, sobre o que aconteceu com os meus filhos. Até lá, espero contribuições para esta reflexão, seja a reforçar o que escrevi até agora, seja a refutar esses mesmos argumentos.

 

Devo iniciar este texto com um conjunto de premissas, para não correr o risco de ser automaticamente interpretado num certo sentido. Sou professor há mais de 20 anos, tendo estado em quatro distritos diferentes. Em todos estes anos foi-me possível construir uma amostra considerável de professores, permitindo-me criar uma imagem sobre os mesmos. Tal como nas restantes profissões, creio eu, há professores que são profissionais extraordinários, há os que, não sendo como os primeiros, poderiam ser, optando por cumprir o mínimo exigível, e há aqueles que pura e simplesmente não deveriam estar nas escolas, ganhando mais o país em pagar-lhes para ficarem em casa, tendo em conta o prejuízo das crianças e jovens em tê-los como professores e o desgaste que os outros professores sofrem por terem de conviver profissionalmente com eles e com as consequências da sua conduta profissional. Por outro lado, devo informar que, desde o meu ano de estágio, sou sindicalizado. Em todos estes anos nunca deixei de o ser, nem em momentos em que muitos dos meus colegas de escola deixaram de o ser, desiludidos com os seus sindicatos, incluindo o meu. Também não deixei de ser sindicalizado quando vi o meu sindicato a encobrir situações vergonhosas de condutas profissionalmente reprováveis de colegas de escola, nem quando vi alguns desses colegas integrarem os órgãos sociais do mesmo sindicato. Acredito na importância dos sindicatos, razão pela qual nunca pus realmente a possibilidade de me dessindicalizar. Acredito e irei continuar a acreditar, apesar de verificar que tanto defendem os interesses laborais dos melhores profissionais entre os professores, como protegem a mediocridade de muitos dos mesmos.

No entanto, apesar da minha confiança no papel dos sindicatos, não deixo de verificar que, por vezes, os mesmos prejudicam a classe docente e a imagem da mesma, quando tomam certas posturas ou proferem determinadas afirmações. Uma destas afirmações de que faço alusão surgiu-me de surpresa, há uns tempos, e voltou a embater com a minha harmonia mental recentemente. Estava eu a dar “uma vista de olhos” ao Jornal da FRENPOF, o qual recebo, quando li num artigo (com o título do texto que agora escrevo), logo nas primeiras páginas e da autoria de alguém que tem um espaço de opinião privilegiado em todas as edições do jornal, a seguinte afirmação: «Um inquérito promovido pela FENPROF junto dos docentes permitiu quantificar, com bastante rigor, o que no dia-a-dia se “metia pelos olhos dentro”: os professores, que teoricamente (e estatutariamente) têm um horário semanal de 35 horas, trabalham, de facto, em média, mais de 46 horas por semana».

Não sei em que dias a pessoa que citou os resultados de tal inquérito está na escola, nem em que dias os responsáveis pela realização do mesmo inquérito estão na escola e também não sei em que dias aqueles que são coniventes com esta afirmação estão na escola. Eu passo o dia-a-dia na escola, mais dias do que é comum, de modo a que todo o trabalho fique minimamente em dia (apesar de nunca estar), resultado de estar na direção de um agrupamento e de ter duas turmas, o que faz com que não consiga, ano após ano, gozar todos os dias de férias a que, legalmente, tenho direito. Mas não me estou a queixar. Se o faço é por culpa minha e, em última análise, “porque quero”. Porém, dou-me o direito, por passar tantos dias na escola, de não permitir que façam de mim estúpido.

Sou professor de matemática. Por esta razão, naturalmente, sei o que é uma média. Pela mesma razão, sei como se calcula uma média e como se analisa pormenorizadamente esse cálculo. Deste modo, permitam-me efetuar alguns cálculos partindo do princípio que os resultados do inquérito são verosímeis. Um ano civil tem cerca de 52 semanas, das quais há cerca de 35 com atividades letivas (este valor é referente ao 1.º ciclo, nos restantes ciclos do ensino básico e no ensino secundário há menos semanas de aulas). Há ainda 3 semanas, após o final de cada período letivo, destinado à avaliação sumativa dos alunos e quase 5 semanas de férias (portanto, um professor trabalha, anualmente, 47 semanas). Sobram, deste modo, 9 semanas onde nem há aulas nem atividades de avaliação final dos alunos, momentos destinados a outras atividades inerentes ao trabalho de um professor. Para quem não sabe, durante estas 9 semanas há muitos professores que pouco ou nada são vistos na escola (e não, por norma não estão em casa a trabalhar). Pela minha experiência, nestas 9 semanas cerca de 20% dos professores estão na escola diariamente (poucos as 7 horas legalmente expectáveis), outros 30% deverão aparecer na escola em metade dos dias das 9 semanas referidas, e os restantes aparecem uma ou duas vezes por semana, em média, raramente durante as referidas 7 horas. Sendo (muito) simpático, imaginemos que, em média, nestas 9 semanas os professores vão à escola, ou trabalham em casa, 3 horas por dia. Tal significaria que trabalhariam 15 horas semanais, o que dá um total de 135 horas de trabalho nas 9 semanas. Não nos esqueçamos que estou a falar em média, muitos fazem mais do que o número de horas de trabalho que refiro (estou somente a ser coerente com a afirmação em causa).

Vamos agora ver o que se passa nas 3 semanas onde é efetuada a avaliação sumativa dos alunos. Para quem não sabe (quem não é professor é natural que não saiba), a avaliação sumativa é a súmula da avaliação formativa que é efetuada ao longo das atividades letivas, ou seja, é um juízo global sobre as aprendizagens desenvolvidas pelos alunos, expressando-se na maior parte dos anos de escolaridade numa escala numérica, numa expressão qualitativa noutros, podendo expressar-se de forma descritiva nos 1.º e 2.º períodos do 1.º ano de escolaridade. Resumindo, o grosso do trabalho relativo à avaliação dos alunos é efetuado ao longo do ano. A avaliação sumativa pouco mais é do que a atribuição de uma classificação aos alunos que espelhe, o melhor possível, as aprendizagens efetuadas. Deste modo, o trabalho nesta semana resume-se às reuniões de avaliação, uma por turma, ou por ano de escolaridade no caso do 1.º ciclo do ensino básico, onde se trata de toda a burocracia necessária (uma mais que outra) referente à avaliação efetuada. Estas reuniões são, por norma, intensas e, dependendo da dimensão das escolas, são efetuadas em 2 a 4 dias. Em termos de horas de trabalho, tal depende muito se os professores são, ou não, diretores de turma, e do número de turmas que têm. Se há professores com 10 turmas (normalmente, não diretores de turma), que passam entre 20 a 25 horas em reuniões, outros há que têm 4 turmas, passando 8 a 10 horas em reuniões. Os professores do 1.º ciclo têm menos tempo de reunião, mas têm a avaliação dos alunos praticamente só a seu cargo, acabando por ter o mesmo tempo de trabalho dos restantes. Mais uma vez, irei ser simpático, partindo do princípio que, em média, cada professor trabalhará 20 horas em cada uma dessas semanas. Sendo 3 semanas, estamos a falar de 60 horas de trabalho.

Neste momento, temos já 12 semanas de trabalho escalpelizadas, dando um total de 195 horas de trabalho, faltando ver o que se passa nas 35 semanas onde há atividades letivas. De acordo com a afirmação inicialmente referida, de que os professores «trabalham, de facto, em média, mais de 46 horas por semana», e lembrando que num ano os professores trabalham 47 semanas, tal significa que, num ano, os professores trabalham um total de 2162 horas. Retirando as 195 horas que, generosamente, atribuí às 9 semanas sem atividades letivas, dá um total de 1967 horas nas 35 semanas com atividades letivas, ou seja, 56,2 horas semanais, o             que é mais de 8 horas diárias, fim-de-semana incluído… ou seja, tendo em conta que o horário mais comum de um professor numa escola é de 25 tempos letivos, entre componente letiva e componente não letiva de estabelecimento, de acordo com os resultados do inquérito em causa, cada professor, em média, para além das 5 horas diárias na escola, está mais 3 horas e trabalhar e, ao fim-de-semana, trabalha 8 horas cada dia, todas as 35 semanas com atividade letiva… Se eu juntar o facto de vários professores que conheço poucas horas trabalharem para além das 25 horas que passam na escola, isso significaria que outros, para compensarem de modo a que esta média fosse mantida, teriam de trabalhar mais 2, 3 ou 4 horas diárias. Gostaria de conhecer estes super-professores que, durante 35 semanas por ano, todos os dias, pouco mais fazem do que comer, dormir e trabalhar.

Como afirmei há pouco, não sou estúpido. Também não o são os portugueses, graças, em parte, aos professores que tiveram. Este tipo de afirmação, facilmente desmentida (quase anedótica), faz um péssimo serviço a todos os professores que trabalham muitas horas e que, mais do que as horas que trabalham, o fazem com uma qualidade reconhecida pelos portugueses, o que leva a que, juntamente com bombeiros e médicos, seja uma das atividades em que os portugueses mais confiam (de acordo com estudos efetuados). Se os sindicatos querem partilhar desta confiança, sejam mais cuidadosos nas afirmações que fazem. Por outro lado, lembrem-se que a vossa perda de credibilidade vai contribuindo para a perda de credibilidade da nossa classe, porque muitos portugueses confundem a vossa voz com a da classe que representam.

 

Desde 26/06/2003

Desde então que este espaço tenta ser um local onde a Educação possa ser discutida de um modo livre, com argumentação que ultrapasse o mero senso comum e com respeito pela diferença de opiniões.

Com o fim da weblog os textos antigos serão transportados para este novo espaço, com as repetivas referências temporais. Muita pena tenho por alguns comentários que enriqueciam os textos não poderem ser recuperados.

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